Ponto cego é a área da retina que não possui células fotorreceptoras. Sem elas, a imagem projetada pelo cristalino (lente do olho) não é registrada pelo sistema nervoso e passa despercebida.
Ou seja: não vemos o que está bem à frente. Os pontos cegos podem surgir, também, na carreira. É a teoria de Cyril Bouquet, professor do IMD, escola de negócios suíça. Segundo ele, os profissionais não enxergam fatos que podem arruiná-los. “O problema dos pontos cegos é que são, por definição, algo que não vemos”, diz Cyril.
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Em geral, o defeito é evidente para todos, exceto para quem o tem. Como lidar com algo que você ignora? A solução: pense como um ET. Cyril sugere que os profissionais olhem sua carreira de ângulos improváveis, como se fossem marcianos chegando à Terra. Assim, é possível avaliar hipóteses nunca consideradas.
Cyril usa as letras da palavra “alien” para designar atitudes usadas para resolver a ignorância sobre o ponto fraco: “A” significa ser um antropólogo; “L”, “lateral thinker”, algo como pensador lateral; “I”, imaginador; “E”, experimentador; e “N”, navegador. Cyril está escrevendo um livro sobre o tema com os professores Theodore Peridis e Michael Wade, também do IMD.
Só evite pensar como um alien em tempo integral: agir como um observador externo toda hora cansa e atrapalha a produtividade. O ideal é fazer isso quando precisar achar uma resposta diferente para um problema. 
Seja um alien para... assumir um novo cargo
Quando um profissional chega a um novo cargo, seja por promoção, seja por mudança de empresa, precisa se adaptar. Essa é a hora de se tornar antropólogo.
Não basta ouvir, racionalmente, colegas, chefes e clientes. É necessário entender como aquelas pessoas (e aquele mercado) se comportam. Observe as atitudes alheias.
Note quem almoça com quem, quem funciona melhor em conversas por e-mail, quem precisa de feedback constante. Um antropólogo estuda as interações humanas e sociais para entender como os grupos agem.
Ao adotar esse olhar, o profissional vai saber como deve interagir com as pessoas da forma mais produtiva e cordial possível.
Seja um alien para... fugir da estagnação
Quem se sente estagnado na carreira geralmente tem dificuldade em imaginar como poderia se desenvolver por ficar preso a conselhos do chefe, dos colegas ou às preocupações do marido ou da esposa.
Resultado? Ansiedade e cérebro travado. A arma a ser usada aqui é a imaginação. Deixe a mente viajar em torno de todas as possibilidades e aja como uma criança, fazendo perguntas como: por que estou aqui?
Para onde devo ir? Esses questionamentos são importantes para alcançar o sucesso.
Seja um alien para... impressionar o chefe 
Há a tendência de achar que o jeito mais fácil de impressionar o chefe é mostrar conhecimento sobre a área em que atua ou, no máximo, apresentar o que as outras empresas estão fazendo de diferente.
Isso não basta. Um profissional que se destaca, de fato, propõe inovações. A melhor maneira de encontrar soluções diferentes é se distanciar um pouco do que acontece no dia a dia e pensar em estratégias que possam até parecer absurdas.
Use o pensamento lateral, que busca referências e cria novas conexões mentais, ajudando a ter ideias melhores e inovadoras.
Seja um alien para... mudar de caminho
O mundo está se transformando em alta velocidade. Mas esse fato não deve ser usado como desculpa para correr o tempo todo. Muitos executivos não conseguem desacelerar e não encontram maneiras de estabelecer uma nova trajetória — para sua carreira ou sua empresa
Para combater o problema, os profissionais deveriam achar uma brecha na agenda para experimentar, seja na prática, seja na teoria. O exercício faz com que novos caminhos apareçam.
Seja um alien para...quebrar a resistência
Nem todo mundo está preparado para adotar a postura do alien na vida executiva. Por isso, é comum encontrar resistência a um tipo de pensamento mais desconexo e a uma visão inédita.
Convencer as pessoas de que esse tipo de raciocínio funciona não é fácil. Uma maneira é instigar o espírito navegador da equipe, mostrando a necessidade de vencer os próprios preconceitos para inovar.