Todos os dias, o médico do trabalho William Dozza, de 56 anos, da Bunge, empresa de alimentos e produtos agrícolas, estaciona seu carro na companhia e toma o elevador até o 6o andar, onde está o ambulatório em que atende os funcionários.
Seria um caminho trivial caso William não fosse cadeirante. Com passagens por Alstom, Xerox e Nextel, conseguir emprego não é fácil para o médico. Por ser paraplégico, William precisa encontrar uma empresa adequada à sua condição, o que é difícil no Brasil.
Publicidade
William se tornou cadeirante há 12 anos, quando sofreu o rompimento de um aneurisma da aorta. “No momento em que senti a primeira dor, sabia que aquilo poderia ser uma sentença de morte”, diz ele.
Levado às pressas para o hospital, William sofreu cinco procedimentos cirúrgicos no primeiro dos 90 dias. “Tudo o que eu queria era sair do hospital e voltar a trabalhar”, afirma.
Na época, ele cuidava da área médica da fabricante de trens Alstom, onde participou do projeto de inclusão de pessoas com deficiência. “Chega a ser irônico que, em minhas apresentações sobre o assunto, sempre falava que qualquer um de nós poderia se tornar deficiente a qualquer momento”, diz William. 
legislação que trata da inclusão de deficientes em companhias brasileiras entrou em vigor em 1991, mas ainda hoje o assunto não é tratado adequadamente.
Na Bunge, William afirma nunca ter passado por qualquer tipo de dificuldade desse tipo. A única adaptação necessária em sua sala foi a colocação de uma banqueta mais baixa, que facilita ao médico auscultar os pacientes.
O melhor é que ele se sente tratado como qualquer outro funcionário da empresa. “Vira e mexe algum colega me chama para ir a um lugar que não é acessível, porque se esquece de que estou em uma cadeira de rodas”, diz.